Por que os brasileiros não gostam de falar sobre a sua situação financeira

Finanças

O estresse financeiro é capaz de afetar a nossa maneira de enxergar o trabalho que fazemos, o nosso valor como pessoas e a qualidade de nossas relações com nossos amigos, familiares e cônjuge.

Quando não conseguimos fazer as contas do mês fecharem, acumulamos dívidas ou somos obrigados a parcelar a fatura do cartão de crédito – sendo que essa não era a nossa proposta -, somos tomados por um sentimento de profunda insatisfação.

Há os que sentem que estão perdendo o controle da vida; da mesma forma, há os que acreditam que estão ganhando pouco e que isso pode ser um reflexo de seu desempenho profissional. Em ambos os casos, sentimos que estamos aquém das nossas expectativas e podemos ficar deprimidos, ansiosos, etc.

Por um lado, talvez ajude saber que não estamos sós: os brasileiros não estão acostumados a poupar dinheiro, tampouco têm acesso à educação financeira nos primeiros anos de vida, o que seria fundamental para criar uma mentalidade mais econômica, voltada para a obtenção de metas e para o bem-estar.

Isso é um grande problema: fomos ensinados que falar sobre dinheiro e sobre a necessidade de estar atento às finanças é algo que privado. Não discutimos salários, possibilidades de economia, investimentos, previdência privada.

O resultado disso é que, quando nos inserimos no mercado de trabalho e começamos a ganhar nosso dinheiro, às vezes não sabemos lidar com ele. Com o passar dos anos, se nada for feito, podemos contrair dívidas difíceis de zerar e prejudicar a nossa qualidade de vida.

Como melhorar isso? Daremos algumas dicas a seguir.

Saúde financeira: o que fazer para melhorar?

Primeiro, é preciso saber exatamente quais são os gastos esperados para o seu mês. Em uma folha, anote os gastos frequentes – aluguel, água, luz, internet. Se há variação nos preços de água e luz, faça uma média dos valores e utilize-a como referência.

Ao identificar o valor que você costuma gastar para manter a sua vida “funcionando”, digamos assim, subtraia-o do seu salário. O dinheiro que restar não deve ser visto como sobra, mas como um investimento: como você pode fazer com que esse valor trabalhe para você?

Pense no que é importante e no que pode ser deixado para depois. Um passeio ao final de semana com a família é interessante, sem sombra de dúvidas, e você não precisa abrir mão dele. O que você pode pensar é: como tornar esse passeio igualmente agradável, mas menos oneroso financeiramente?

Da mesma forma, avalie os gastos que você teve nos últimos meses: se não consegue lembrar com o que gastou dinheiro, vale tirar um extrato completo e, então, verificar quais são os estabelecimentos que se repetem e os valores deixados em cada um deles.

Não é incomum que nos surpreendamos imensamente com a quantidade de dinheiro gasto com supérfluos. Esse choque é bom, na verdade, pois permite que comecemos a olhar para os nossos hábitos com olhos mais atentos e, por consequência, consigamos corrigir a normalização da autoindulgência.

Essa é uma palavra importante, aliás. Autoindulgência é quando cultivamos a tendência de relevar os nossos erros ou criamos desculpas para determinados comportamentos. Um exemplo? Gastar dinheiro com uma roupa nova, cara, quando você não precisa de roupas novas, apenas porque você tem a noção de que merece.

E não entenda mal, você merece. Mas a pergunta é: você precisa?

Dicas para manter as finanças em dia

Além de estar atento aos gastos diários, que costumam pesar no final do mês, você pode alterar alguns comportamentos nocivos à saúde financeira.

Se você costuma parcelar as suas compras, tente começar a pagar à vista. Além de não contrair outra dívida, que pode causar dor de cabeça no futuro, você começará a comprar com o dinheiro que efetivamente tem, e não com o dinheiro que tem a impressão de ter.

O cartão de crédito pode ser um grande aliado, mas ele também aumenta a noção de que o nosso poder de compra é ilimitado. Se você passa a comprar à vista, entende melhor o valor do seu dinheiro e a importância de gastar com mais parcimônia.

Além disso, baixe um aplicativo de monitoramento de finanças. Alguns deles rastreiam a origem das suas compras, mostram médias de valores gastos com determinadas áreas e até emitem alertas quando você gasta além do planejado.

Por fim, invista em planejamento: qual é o seu objetivo para o futuro? Como você deseja chegar lá e quanto dinheiro precisa ter para isso? Com as suas percepções mais evidentes, fica muito mais fácil criar um caminho de sucesso.

As instituições financeiras são muito importantes para a vida das pessoas e são grandes parceiros ao longo da vida.

E, ao pensar sobre vida financeira, além de conhecer sobre investimentos, regras e taxas, previdência pública, como resgatar previdência privada e outros temas relevantes, é preciso olhar para esse importante componente e conhecer os serviços oferecidos pelo seu banco.

Para entender os seus direitos e cobrá-los é preciso saber o que seu banco oferece, o que está em seu contrato e o que faz sentido para seu perfil. Somente ao conhecer os serviços do seu banco é que é possível entender a melhor opção do mercado.

Pensando em te ajudar com isso, listamos pontos essenciais para você ter atenção em sua instituição financeira. Confira!

Quais são os serviços bancários essenciais no Brasil?

É importante entender que, por resolução do Banco Central (BC), alguns serviços bancários são considerados essenciais e devem ser oferecidos por qualquer banco, sem nenhum tipo de cobrança.

Eles precisam ser gratuitos e, caso seu banco cobre sobre eles, você tem todo o dever de questionar e até mesmo entrar em contato com o Banco Central para receber seus direitos. Esses serviços são:

  • Cartão de débito;
  • Dez folhas de cheque;
  • Compensação de cheque;
  • Quatro saques em guichê de caixa, inclusive em terminais de autoatendimento;
  • Duas transferências para contas do mesmo banco;
  • Dois extratos físicos dos últimos 30 dias;
  • Consultas ilimitadas por mobile ou internet banking;
  • Atendimento eletrônico.

É preciso ter atenção em alguns desses serviços, afinal, para transferências, extratos e cheques, por exemplo, há limite de gratuidade. Sendo assim, passando do que é essencial e obrigatório, pode haver cobranças de taxas que podem ser uma surpresa.

Nesse sentido, é preciso conhecer as taxas para que não exista cobranças indevidas nos serviços que você realizar.

O que pode ser cobrado pelo seu banco?

Basicamente tudo que não é essencial, ou seja, o que citamos há pouco, podem ser cobrados pelas instituições. Há diversas tarifas e cobranças para cada banco e conta e, vale lembrar que com o surgimento das fintechs, muitos bancos tradicionais liberaram diversas tarifas para seguirem competitivas no setor.

É preciso observar as taxas entre as instituições para que se escolha o melhor para cada perfil. Se o seu objetivo for fazer um empréstimo, por exemplo, é preciso fazer pesquisas nesse campo.

Além disso, é importante entender os juros aplicados pelo cartão de crédito, atraso na fatura, contratações de serviços extras, entre outros.

Quais contas existem e como não ser pego de surpresa pelos bancos?

Existem diferentes tipos de contas bancárias no mercado e é preciso entender sobre elas antes da adesão para não ser pego de surpresa por taxas e cobranças indevidas ou desconhecidas.

Conta corrente

Esse tipo de conta contempla o pacote de serviços essenciais gratuitos. Os demais serviços são oferecidos pelos bancos em pacotes assim, o usuário contrata quantos acha que faz sentido para ser perfil e paga mensalmente a mensalidade.

É preciso lembrar que os bancos não podem cobrar nada que os clientes não queiram e não tenham contratado e nem podem obrigar que os clientes contratem pacotes de serviços. É preciso disponibilizar a conta essencial e de forma gratuita para os usuários.

Conta poupança

Essa conta funciona de maneira semelhante à corrente e o usuário também tem serviços gratuitos essenciais. Para os demais, também são cobradas taxas e mensalidades.

Conta digital

Com o surgimento das fintechs, ou seja, os bancos digitais surgiram também as contas digitais. Como seu nome diz, elas são exclusivas do mundo online e tudo pode ser resolvido através de poucos cliques.

Por não contarem com agências e caixas eletrônicos, é grande a economia dessas instituições, o que faz que diversos serviços sejam isentos de cobrança e muitas funções sejam gratuitas para os clientes.

Mesmo assim, é preciso ter atenção com o que pode ser cobrado e quais são os valores de tais contas.

Conhecer os serviços e taxas do seu banco é essencial para não cair em cobranças e surpresas inesperadas. Educação financeira e conhecimento sobre seus direitos é chave essencial para manter as finanças sob controle.

Ao entender o seu perfil é possível escolher o melhor banco, melhores serviços e ter vantagens com preços e funcionalidades que sejam de fato utilizadas.

Você conhece o que seu banco oferece e quais são todas as suas possibilidades? Aproveite que você está mais por dentro do tema e busque sobre o que seu banco te proporciona!